Quatro RPGs Family Friendly baseados em Fate que você precisa conhecer!

Publicado originalmente na RedeRPG

OK…

Fate tem muitos cenários interessantes, como Masters of Umdaar, Knights of Invasion, Blood on Trail, Nitrate City e afins. Mas como estamos em Outubro, mês das crianças, vamos pensar em um tipo de cenário que infelizmente considero pouco representado: os cenários Family-Friendly.

Primeiramente, vamos definir o Family-Friendly: cenários Family-Friendly são cenários onde o enfoque não é (ou ao menos não deveria) ser no combate e em violência, mas na exploração do cenário e na resolução de problemas (ao menos os mais importantes) sem recorrer à violência. Em muitos casos, os cenários Family-Friendly tendem a ter um foco muito maior na interação dos personagens com o cenário e na possibilidade de que os mesmos resolvam seus problemas sem precisar de violência, até porque em muitos deles a oposição típica é muito mais forte que os personagens, ao menos na característica física.

Feita essa definição rápida e suja, até porque não me considero um especialista no assunto, vamos apresentar os três cenários escolhidos. No caso, três são da própria Evil Hat e um é da Wordsmth Games. No caso, falaremos de Strays, Do: Fate of the Pilgrim Temple, Young Centurions e Good Neighbors. No final, faremos algumas menções honrosas que podem ser aproveitadas bem em um enfoque Family Firendly, ainda que não tenham sido focadas para esse público. Infelizmente todos os produtos aqui apresentados estão em inglês, mas com a vantagem de serem todos baseados no Fate Acelerado, que já se encontra traduzido pela Solar Entretenimento.

Saiba Mais (4075 palavras...)

A Ascensão do Fagin

Essa é uma aventura para Young Centurions, voltada a personagens iniciantes, que ocorre no Halloween de 1911 em Nova Iorque (Categoria de Aventura: G/PG). As cenas iniciais apenas visam apresentar o cenário e colocar o clima da aventura: a ação em si ocorre na Cena Final.

Como existe a possibilidade de certos assuntos mais sensíveis serem tocados, você enquanto narrador pode querer adotar a regra de X-Card, pois, devido ao próprio cenário de 1911, pode ser que algumas pessoas resolvam tocar em tópicos sensíveis como racismo, machismo e afins. Se o grupo for suficientemente maduro, tudo bem. Se for um grupo imaturo, tanto como RPGistas quanto como pessoas, é uma boa idéia evitar ao extremo esse tipo de assunto.

Essa é uma aventura com potencial para ação pesada ao final da mesma: jogadores que desejem resolver tudo na base dos punhos (o que não deixa de ser um tanto pulp) terão seu momento de glória mais ao final da aventura, deixe isso bem claro. O início envolve alguma investigação e compreensão dos acontecimentos e do cenário…

Saiba Mais (5150 palavras...)

Resenha - Sally Slick and the Miniature Menace

Após os eventos de Sally Slick and the Steel Syndicate, Sally Slick pensou que tudo seria diferente e que ela conseguiria se enxergar como a heroína que ela sente que é. Mas para o valentão da região, Eugene Falks, ela não passa de uma garota, o que quer dizer que ela deveria ser como Bitsy Mulhoneys, Maise e outras meninas da Vila de Nebraska Township, que são as típicas menininhas que ficam cuidando da aparência, o oposto total de Sally.

E o que mais a magoa é que essa visão é compartilhada por seu Pai, e isso a deixa ainda pior, já que foi ela quem salvou seu irmão e sua família do Sindicato de Aço, e no fim das contas é ela quem conserta tudo em casa.

E os acontecimentos na feira local durante a corrida de tratores que ela não pode participar que a deixou ainda mais chateada e emotiva, e encheu seu coração de dúvidas.

É quando a estranha Mestra de Picadeiro Clara Belle do Circo Europa aparece e acaba colocando de certa forma Sally e o seu companheiro de aventuras, o garoto magricela, tagarela e excessivamente confiante Jackson “Jet” Black, de volta no caminho da aventura, ao ver a performance de Sally com o seu trator de corrida mais rápido que alguns carros de corrida, Calamity.

Mas o modo como as pessoas vêem as coisas no local a deixa frustrada, fazendo com que Sally fique pensando se na realidade não é ela que está errada em querer mais do que lhe cabe “como uma garota”. Que na realidade talvez ela seja mais afeita à casa e aos cuidados domésticos, e não à mecânica e às aventuras.

Mas ela não tem tempo de pensar nisso, já que seu maior orgulho na vida, Calamity, foi roubada!

Ela simplesmente não pode deixar isso barato, não importa o que aconteça no futuro, portanto ela e Jet estão de volta ao caminho da aventura, e fugir de cada durante a madrugada é apenas o começo. A suposição que Sally fez guia suas ações: aquela Belle do Circo Europa foi quem roubou a Calamity, ela tem certeza. Ela e Jet procuram o circo para questioná-la sobre Calamity.

Quando eles chegam à estação de trem, eles encontram um garoto que está trabalhando para o Circo Europa, e passam a conversar com mesmo. Embora ele apenas imagine que os dois queiram fugir com o circo como ele fez. É quando esse garoto é capturado por um homem vestido em roupas escuras, com um capuz ocultando-lhe a face, como um daqueles bandidos dos velhos livros pulp (gente, isso aqui é um pulp, ok? Vamos dançar conforme a música!) falando sobre um objeto misterioso com um nome estranho. E esse vilão sabe sobre o garoto, já que ele revela o nome do mesmo, Mack Silver (outro nome familiar do Espírito do Século e da trilogia Dinocalypse. E eles também acabam com isso aprendendo uma regra sobre as aventuras: aventuras sempre levam a problemas. Mas eles conseguem lidar com o vilão sem muito problema, salvando Mack Silver com a ajuda de uma senhora que chamou os Condestáveis. E é assim que o dueto torna-se um trio (por assim dizer).

Quando eles chegam ao circo, eles encontram uma pessoa que será importante no futuro de certa forma: o frágil e doente leitor da sorte Jared Brain, um garoto mirrado que não consegue sair direito de sua cadeira e assuta tanto aqueles que procuram seu serviço que o circo o impede de fazer tal coisa.

A trama fica mais complicada quando Sally percebe que os vilões não decidiram de sequestrar Mack Silver, tanto que tentam o levar inconsciente durante a noite usando um dos aeroplanos dos pilotos audazes. Ela e Jet salvam Mack, mas não sem consequências, ao derrubarem o mesmo…

Nesse momento Sally, Jet e Mack preparam uma armadilha para obter algumas respostas dos bandidos. E Sally mostra seu Bastão de Choque, um dipositivo similar a taser que derruba o bandido, que se identifica como integrante de uma ordem mística estranha, um Discípulo dos Olhos que Tudo Vêem, que procura o Olho de Enki para o manter longe daqueles que possam usar o mesmo para seus fins egoístas. O mesmo também acredita que o Olho já teria corrompido Mack, já que ao fugir da gaiola dourada que ele chamava de casa, Mack sem querer pegou o Olho de Enki em meio a outras coisas úteis.

É quando as coisas desgringolam: quando procura Jet para voltar para casa, Sally não o encontra! Agora ela precisa o encontrar e ela recorre a uma pessoa que pode o ajudar: o frágil vidente Jared Brain.

Jared Brain pode ajudá-la, mas ele está tão fraco que não pode abandonar seu leito. Para ajudar Jared, Sally constrói, com a ajuda de Mack, uma cadeira de rodas, de tal forma que Jared possa ser empurrado enquanto tenta localizar Jet, apesar das suspeitas de Mack e Sally… Que apenas aumentam quando Jared faz seus passes dramáticos, fechando os olhos enquanto lhes oferece indicações de onde Jet está, indo até o teatro das marionetes, onde normalmente encontrariam o velho, careca e bondoso senhor Heinrich.

Entretanto, nesse momento um dos elefantes do circo, Petit, desembestou furioso contra eles e contra o chuck wagon, o local onde os artistas e trabalhadores do circo almoçam e jantam! Mack, Sally e Jared conseguem impedir que o elefante destrua tudo, e descobrem que alguma coisa o assustou, talvez um rato ou algo similar, já que encontram algumas pegadas pequenininhas na jaula de Petit, e Sally ajuda construiindo e armando uma armadilha para pegar o que quer que seja.

Mas, ao invés de pegarem um rato, Sally captura um Jet Black versão miniatura. E isso torna as coisas mais estranhas. E elas ficam ainda piores quando Jet afirma que Heinrich tem o Olho de Enki, e eles não tem mais Jared Brain para os ajudar a localizar Heinrich por meio de seus auto-proclamados poderes mentais.

Eles decidem, entretanto, que precisam achar Heinrich primeiro, já que ele está com o Olho, e se não acharem o Olho eles terão um Jet Black em tamanho de boneca para sempre. Mack os ajuda, já que sabe pilotar um aeroplano (ao menos na teoria).

Mas isso quer dizer que Sally terá que enfrentar seus temores, incluindo o de voar. Porém, não o fazer seria dizer que seu Pai está certo e que ela é apenas uma garotinha que pertence ao lar e aos afazeres domésticos. Ao encarar de frente seus temores, entretanto, ela prova que sua Mãe é que estava certa, e que ela é destinada a feitos maiores que cuidar de casas em Nebraska Township. E isso também é coragem: fazer o que necessário, mesmo diante de seus medos.

Eles não encontram Heinrich, mas um acampamento dos Discípulos, que capturaram Heinrich. O titeriteiro está destroçado de medo, já que quando ele encolheu Jet ele imaginava ter o matado. Eles descobrem que Heinrich estava aproveitando as paradas do Circo Europa para roubar artefatos mágicos que o Circo estaria mandando para os nazistas (ou foi o que lhe disseram). Mas ele decide ajudar Sally e seus amigos, ao incinar aos Discípulos como usar o Olho para devolver Jet ao seu tamanho natural. E é quando Heinrich revela o nome de seu contratante, alguém que Sally e Jet conhecem muito bem: Doktor Proktor, chefe do irmão de Sally, e um dos responsável por todos os problemas em que Sally e Jet se meteram, em Sally Slick and the Steel Syndicate

Nesse momento, Jared revela-se junto com a Irmã Waleria (que foi o sequestrador que Sally capturou), que o introduz como alguém com habilidades psíquicas para encontrar coisas mágicas. Eles precisam encontrar Doktor Proktor, e para isso procuram recorrer às habilidades de clarividência de Jared, que demanda poder tocar o Olho de Enki no processo. Mesmo sob as suspeitas da Irmã Waleria, Jared afirma que o Olho pode amplificar seus poderes…

E Jared usa o Olho por tanto tempo que as pessoas começam a ficar entediadas e começam a discutir umas com as outras, até que elas percebem que os artefatos foram roubados… O que leva a mais discução até que eles percebem o que estão fazendo: ao gritar uns com os outros de maneira sem sentido, eles não lembraram-se de alguém…

Jared Brain! Agora, um poderoso e maligno artefato está nas mãos de um garoto capaz de o controlar. E o usou para ocultar seus rastros, de algum modo.

E, quando eles procuram Jared, eles descobrirão o que o mesmo queria com o Olho de Enki, e os resultados agridoce dessa aventura irão impactá-los no futuro, para o bem e para o mal.


Esse livro é um tanto sobre dúvida: sobre as dúvidas de Sally quanto aos seus talentos e objetivos, as dúvidas de Jet sobre sí próprio, e assim por diante. E também é sobre coragem, sobre pessoas que assumem posturas quanto ao que acreditam (para o bem e para o mal).

Também é um livro sobre lidar com adversidades: Sally precisa lidar com o fato que ela é (usando termos do século 21) uma garota moleca de uma vilazinha do interior onde as pessoas pensam em garotas como bonequinha fofinhas e cheias dos não-me-toque. Jet precisa lidar com sua impulsividade, que o coloca em encrencas onde qualquer outra pessoa iria se render, recuar ou se esconder. Mack precisa lidar com coisas que ele não precisava lidar quando estava a gaiola dourada de sua família. Jared precisa lidar com o seu corpo frágil que segura sua mente poderosa, e assim por diante.

E também é um livro sobre as consequências dos desejos, e sobre como mesmo boas pessoas podem fazer coisas ruins, como Heinrich fez. O mal possui formas de fazer pessoas boas fazerem seus planos nefastos, como Heinrich fez ao roubar artefatos para Doktor Proktor, dando-lhe poderes perigosos enquanto acreditava fazer algo bom.

Esse livro também nos mostra de certa forma o futuro de Sally, Jet e Mack, e como ele se revela diante deles, já que eles vão fazendo amigos e inimigos, e sobre a importância deles e do que eles fazem, já que eles não fazem as coisas que as pessoas querem ou acreditam que eles farão, mas sim o fazem o que acreditam ser certo.

Miniature Menace é uma fantástica continuação para Steel Syndicate, e aqui os vemos crescer mais um pouco e com isso se aproximarem de seu ideal Heróico, já que eles sofrem e com isso aprendem sobre consequências, medo e coragem.

Os tropos do pulp se fazem presentes, e Sally e Jet são tão incríveis como quando os deixamos no final de Steel Syndicate. Sally ainda uma moleca louca por maquinários que precisa lidar com valentões, e Jet ainda o magricela com uma língua afiada e a capacidade de dizer as piores coisas nos piores momentos, e apesar disso ainda sendo o tipo de cara do copo meio cheio.

E os novos personagens também são sensacionais: Jared Brain, o garoto com poderes psíquico enormes em um corpo frágil; Nadya e Rosaliya, as garotas espalhafatosas que apoiam Sally em seu baixoa astral após o sumiço de Jet; Heinrich, o senhor de bom coração que faz algo ruim ao roubar artefatos; e Clara Belle, a Mestra de Cerimônia do Circo Europa com poderes secretos de clarividência.

E claro, temos Mack Silver, outro nome que as pessoas que já leram qualquer coisa de Espírito do Século deve conhecer: um garoto bonito, com um desejo pelos ares e pela liberdade que o levou a fugir da gaiola dourada onde sua família o mantinha e procurar refúgio junto ao Circo Europa. Aqui, ele começa a fazer algo que viria a ser uma marca registrada e um modo de vida: voar em um aeroplano.

Também vemos um de seus primeiros e mais poderosos inimigos surgindo, um inimigo que controla poderes além da Ciência, e, para desgosto enorme de Sally, alguém que ela ajudou a alcançar seus objetivos sem perceber.

O texto é claro e fluído como o do primeiro livro, Steel Syndicate. Existe alguns problemas no cruzamento das tramas, mas nada que possa realmente comprometer o texto. Os personagens são interessantes, e os riscos são tão grandes quando o pulp exige. As ameaças estão por todos os cantos e podemos ver os personagens fazendo o que podem e lidando com as consequências de suas ações.

Esse livro é recomendável para quem gosta do estilo pulp, para quem gosta do cenário do Espírito do Século, ou para quem aprecia história de ação com emoções intensas e texto leve e divertido. Eu o considero um livro 4 entre 5 estrelas, já que existem alguns detalhes que tornam a história um pouco mais lenta que a de Steel Syndicate, mas isso pode ser derivado da famosa maldição do segundo livro que afeta mesmo as melhores séries. E esses detalhes não tornam o livro menos interessante, divertido e bem ritmado.


ATENÇÃO: Recebi cópias de Sally Slick and the Steel Syndicate, Young Centurions e do futuro livro da Série Young Centurions Sally Slick and the Miniature Menace, da Evil Hat para essa resenha. Essa resenha representa minha visão do mesmo e pode não ser totalmente acurado.