Don Cagliostro (a.k.a. Frederick Van Der Merwe) - Spirit of Literacy

Aspects

Type Aspect
High Concept Mentalist Spirit of Literacy
Trouble A Good-Hearted Charlatan
  “If you know the right thing, you always have the right win”
  My Time is over, it’s a Century for Nicola
  Gladly looks like Doctor Methuselah cast himself in the shadows

Approaches

Approach Level
Careful Average (+1)
Clever Fair (+2)
Flashy Fair (+2)
Forceful Mediocre (+0)
Quick Average (+1)
Sneaky Good (+3)

Centurion Stunts

  • The Real-Life Munchausen: Because he’s a Spirit of Literacy, he can use his knowledge to make people believe things that he’s talking is true, by “reading” them and discover how to influence them via lies into some truth. He receive +3 to Sneakily Create Advantages by deceive people into believing something he’s talking is true, as far there’s some truth, no matter how small, into it (“Yes, the Sotho people made me their king, you know! I’m the profetized White King of the Black Africa! You don’t want to be target of the wrath of the Might Sotho people!”)

Other Stunts - Refresh: 1

  • Divination: Gain +2 to attempts to create an advantage by reading signs and portents in the stars, or in tarot cards, or using some other divination practice, made while being Careful.
  • Stage Psychic: Gain +2 to attempts to create an advantage, made while being Flashy, when you make a show of predicting someone’s fortune.
  • The Cavalry: Because you can sense when your friends are in trouble, once per session you can insert yourself into a scene in which an ally is in serious danger (unless you’re in jail, stuck on Mars, or otherwise physically incapable of getting there).
  • Lie Detector: Gain +2 to defend actions made to detect lies when you’re being Clever.

Frederick van Der Merwe was born in Cape Town, South Africa, from a Boer diplomat father and an English actress mother. His father was one of the responsible by the returning (although briefly) of Cape Town to the Dutch in 1803. Before the Battle of Blaauwberg, his family emigrated to France and estabilished themself as artists in the Napoleonic France, emigrating from here to there avoiding the wars. In the mean time, young Frederick learned how the things works, by learning how to read as soon as 3 and being able to work at stage as 10. He also learned how to use his knowledge to work his ways into places and around people. Somewhat a honest liar, a real-life Baron of Munchausen, Fred had started his carrer in stage by unknowlingly using his gifts as a Spirit in his shows, to “read” his mentalist target and inducing their to do what he wanted or to read their future. It was this until Doctor Methusaleh got into his way and put him in Danger and he was found by the Century Club. He worked as an informant, an analyst and a scholar, while making fame and money as his alter-ego Don Cagliostro, and trying to put himself into the moves of Doctor Methusaleh and discover his objectives. With the century turning, however, he get himself out of the field as much as possible, searching for a specific kid, maybe a Spirit of Literacy as himself. When he found Nicola Castrogiovanni, he found what he needed: a Spirit of Optimism that could be great if correctly taught and doctrinated. And who’s better than a Spirit of Literacy to literate someone in something?

Don Cagliostro (nome verdadeiro: Frederick Van Der Merwe) - Espírito da Educação do Século XIX

Aspectos

Tipo Aspecto
Conceito Espírito da Educação Mentalista
Dificuldade Um Charlatão Honesto
  “Faça da maneira certa e a vitória será certa”
  Meu tempo acabou. Esse é o século de Nicola
  Parece que o Dr. Matusalém voltou às sombras… Felizmente

Abordagens

Abordagem Nível
Ágil Regular (+1)
Cuidadoso Regular (+1)
Esperto Razoável (+2)
Estiloso Razoável (+2)
Poderoso Medíocre (+0)
Sorrateiro Bom (+3)

Façanha Centuriã

  • O Verdadeiro Munchhausen: como ele é o Espírito da Educação, ele pode usar seu conhecimento para fazer as pessoas acreditarem em qualquer coisa que ele diga, ao “ler” as pessoas e descobrir como as influenciar ao incluir alguma verdade no meio de mentiras. Ele recebe +3 para Criar Vantagens de Maneira Sorrateira ao fazer as pessoas acreditarem em alguma mentira, desde que ela inclua alguma verdade, não importa o quão pequena (“Podem acreditar, o povo Sotho me tornou seu rei! Eu sou nascido na África do Sul, o Rei Branco da África Negra das profecias, e vocês não vão querer ter a ira do poderoso povo Sotho contra vocês!”)

Façanhas em Geral [ Recarga: 1 ]

  • Divinação: Recebe +2 ao tentar Criar Vantagens sendo Cuidadoso, ao ler sinais e portentos nas estrelas, por cartas de tarô, ou usando algum outro tipo de prática divinatória.
  • Místico de Palco: Recebe +2 ao tentar Criar Vantagens sendo Estiloso, quando tentar fazer uma cena ao prever o futuro de alguém
  • A Cavalaria: Como você é capaz de sentir quando seus amigos estão encrencados, uma vez por sessão você pode colocar-se em uma cena onde um aliado está em grave perigo (a não ser que você não consiga chegar lá por estar preso, em Timbuktu, em Marte ou qualquer outro motivo).
  • Faro da Verdade: Recebe +2 ao Defender-se sendo Esperto de ações quando os outros tentarem lhe passar a perna.

Frederick van Der Merwe nasceu na África do Sul, filho de um diplomata Boer e de uma Atriz inglesa. Seu pai fou um dos responsáveis pelo acordo que resultou na devolução da Cidade do Cabo (ainda que por pouco tempo), onde ele nasceu, para os holandeses em 1803. Antes da Batalha de Blaauwberg, sua família emigrou para a França e se estabeleceu como artistas no Império Napoleônico, indo de país em país evitando as guerras.

Nesse meio tempo, o jovem Frederick aprendia como o mundo funcionava, tendo aprendido a ler e escrever com apenas 3 anos de idade e já atuando aos 10. Ele também aprendeu como usar seus conhecimentos para entrar nos locais e conhecer as pessoas certas. De certa forma um mentiroso honesto, um Barão de Munchausen do seu tempo, Fred começou a usar os talentos de Espírito do Século em seus shows, “lendo” o alvo de seus truques mentalistas e os induzindo a dizer o que ele precisava saver para “ler” seu futuro.

Foi quando o Doutor Matusalém cruzou seu caminho e o colocou em risco, o que resultou em sua entrada para o Clube do Século. Ele passou a trabalhar para o Clube como informante, analista e pesquisador, enquanto ficava rico e fazia fama por meio de seu alter-ego do palco, Don Cagliostro, buscando também descobrir os objetivos do Doutor Matusalém e impedir seus planos.

Com a virada do século, entretanto, ele acabou por se retirar da frente de batalha assim que possível, procurando por algum dos Espíritos do Século XX, preferencialmente um que fosse um Espírito da Educação, como ele próprio. Foi quando ele encontrou Nicola Castrogiovanni, que era quem ele procurava: um Espírito do Otimismo que seria grande, se adequadamente tutelado e doutrinado. E quem melhor do que um Espírito da Educação para educar alguém?

Um conto do Templo Voador

Por Fábio Emilio Costa

Pergaminho Eterno olha para a luz que guia os Peregrinos de volta ao Centro dos Muito Mundos, onde fica seu lar, o Templo Voador. Sua manta azul escura e o conjunto simples de camisa e calças brancas estão sempre limpas, como a vaidade dele sugere. Mesmo voando rápido, sua cartola e o monóculo que usa sobre o olho direito permanecem intactos, sinal da elegância de um verdadeiro Peregrino do Templo Voador, ao menos na concepção do mesmo:

- Estou exausto, Pergaminho Eterno. - diz a poderosa voz ao seu lado, também voando pelo Espaço entre os Muitos Mundos. Pergaminho Eterno olha para o lado e vê os braços poderosos e o sorriso contagiante, ainda que realmente exausto, de Generoso Urso.

Um peregrino de tamanho quase tão grande quanto seu coração, Generoso Urso é o exato oposto de Pergaminho Eterno: enquanto Pergaminho Eterno sempre foi um estudioso que controla suas emoções e pode ser capaz de jogar xadrez com Deuses (como já o fez antes) para resolver os dilemas das Carta que chegam ao Templo, Generoso Urso é expansivo e explosivo, um Peregrino de excessos, tendo um sorriso tão amplo quanto é a sua fúria quando diante do que é Errado.

Suas roupas, assim como tudo nele, são excessivas: faixas e faixas de linho ao redor de seus braços, pernas e peito, um leve quimono branco amplo encimando o peito e calças que caberiam quase dois Generosos Ursos dentro dela, seguros em seu lugar por uma faixa.

- Devemos estar chegando logo ao Templo, Generoso Urso. - diz Pergaminho Eterno, em um tom suave e calculado, como tudo o que Pergaminho faz - Talvez encontremos outras trupes de peregrinos… - ele complementa, quando vê outros dois Peregrinos se aproximando.

De imediato eles reconhecem um dos Peregrinos que se aproxima e estranham sua presença: o enorme Rastelo que carrega às costas e o chapéu de palha que veste são incomuns de serem vistos fora do templo, isso sem falar de sua dona, com sua pele queimada da Luz do Templo, suas vestes rotas e rasgadas quase ofendendo a sensibilidade de Pergaminho Eterno, e o olhar duro quase derrubando Generoso Urso.

Ao lado da mesma, Pergaminho Eterno nota depois de um tempo, uma mirrada, quase imperceptível, presença: uma garota pequena, até para a proporção de todos os Peregrinos (com a exceção óbvia de Generoso Urso) e magra, suas vestes são bem comuns, o que a torna “invisível”, ainda mais com suas habilidades de ocultar sua presença ao ponto de praticamente “desaparecer”, uma habilidade incomum, mesmo se considerar que quase todo Peregrino possui algum tipo de habilidade estranha ou mágica, assim como os Monges que os criam no Templo Voador.

- É raro ver vocês duas, Rastelo de Aço e Vento Silencioso, longe do Templo. - diz Pergaminho Eterno, com um leve sorrisinho. Na verdade, as duas não se incomodam, pois ambas conhecem Pergaminho Eterno e, embora ele aparente ser arrogante, na realidade ele o faz por sua extrema rigidez consigo mesmo enquanto sua educação. Não à toa que Pergaminho Eterno é o peregrino quando algo envolvendo negociações e tradições deve ser resolvido.

- Um planeta no Céu do Pó estava com muita fome, e suas sementes foram roubadas por um dos impérios do Céu do Metal. - diz Rastelo de Aço - Minhas sementes ajudaram por um tempo, mas o solo lá era muito específico, apenas as plantas roubadas podendo crescer lá. Conseguimos pegar de volta as mesmas graças a Vento Silencioso, mas também contamos com a ajuda dos povos do império, que derrubaram seus líderes belicosos.

- Isso não foi fácil. - diz Vento Silencioso, na sua voz tipicamente baixa, o que faz com que Pergaminho Eterno e Generoso Urso se aproximem - O Tirano de Aço escondia a colheita do povo de Falshara muito bem. Levou tempo até que eu encontrasse os depósitos, e ainda mais tempo para que conseguíssemos invadir os mesmos.

- Uma bela jornada para um dilema importante ao ponto de demandar uma Carta ao Templo. - diz Pergaminho Eterno. - Nós também tivemos uma jornada interessante: dois povos iam entregar um casal de jovens enamorados aos Deuses dos mesmos. O mais belo amor sendo entrege em sacrifício pela manutenção da paz.

- Balela! - diz Generoso Urso - Deuses são sempre assim, acham que têm mais direitos que todos e não aceitam não como resposta. Bem, aqueles não eram de nada. Foi fácil demonstrar que o Deus da Batalha deles era um fracote, que se escondia atrás de uma massa de músculos.

- Em compensação, Generoso Urso, lembro-me de você todo tímido com a Deusa do Amor e da Paz. Foi tão difícil assim convencê-la de que aqueles jovens representariam melhor o ideal dela se permanecessem vivos? - diz Pergaminho Eterno, enquanto as bochechas de Generoso Urso ficam extremamente vermelhas e ele dá um sorrisinho tímido.

- Bem, acho que todos nós merecemos descanso. - diz Rastelo de Aço, enquanto eles continuam voando para o Centro dos Muito Mundos, o voo dos mesmos não dependendo de qualquer tipo de aparelho, seja balão, ornitóptero ou mesmo barca voadora.

Conforme os quatro se aproximam, eles percebem algo estranho:

- A luz do Templo… - diz Vento Silencioso - Onde está a luz do Templo?

- E que vento é esse? - diz Rastelo de Aço, quando um poderoso vento giratório os atinge. Generoso Urso consegue agarrar tanto Vento Silencioso quanto Rastelo de Aço e levar até um local seguro, um pequeno torrão de terra de uns 40 metros, mas Pergaminho Eterno não tem a mesma sorte:

- O QUE ESTÁ ACONTECENDOOOOOOOOoooooooooo!?!?!?!?!?!?!? - os Peregrinos ouvem Pergaminho Eterno gritar, e percebem que ele não consegue voar, caindo igual uma rocha para o centro do turbilhão de pó e cinzas no local onde ficava o Templo Voador. Nenhum sinal dos monges, dos dojos de artes marciais, das enormes bibliotecas, dos laboratórios de pesquisa…

Tudo sumiu…

Tudo se foi…

Rastelo de Aço e Vento Silencioso sentem uma profunda melancolia e percebem que com isso não podem voar. Generoso Urso também sente isso, mas não possui tempo de se sentir melancólico: Pergaminho Eterno está rodando cada vez mais rápido em meio ao turbilhão de pó e cinzas.

- Aguente Firme, Pergaminho! - diz Generoso Urso. - Vocês duas, fiquem aqui, que eu irei resgatar Pergaminho Eterno. Aparentemente sou o único que ainda consigo voar.

- Não seja louco, Generoso Urso! Você não conseguirá resgatar Pergaminho Eterno sozinho. Poderá ter o mesmo destino que ele… - diz Rastelo de Aço - Acho que tenho uma semente mágica útil comigo.

Rastelo de Aço mexe em meio às suas coisas e encontra uma pequena semente brilhante, enquanto Pergaminho Eterno continua rodando no turbilhão de cinzas e pó. Ela a planta enquanto Vento Silencioso rega-a com um pouco de água que ainda possuia em seu cantil. A semente brota em instantes, formando uma vinha em forma de corda, que Rastelo de Aço entrega para Generoso Urso.

- Faça Pergaminho Eterno pegar essa corda, e eu e Vento Silencioso ajudaremos vocês os puxando de volta. - diz Rastelo de Aço

Urso Silencioso voa do torrão de terra até o turbilhão:

- Pergaminho Eterno, pegue a corda! - diz Generoso Urso

- Não posso, tem algo que peguei no centro desse turbilhão de relance e não posso soltar. Acho que tem a ver com tudo isso! - responde Pergaminho Eterno

- Ora bolas! - diz Generoso Urso, irritado - Como sempre nos metendo em confusão! Tudo bem, não solte o que quer que seja! Vou tentar te agarrar!

Uma tentativa, e outra, e uma terceira… E apenas na quarta Generoso Urso consegue agarrar Pergaminho Eterno pelas pernas.

- Agora, vocês duas!!! - grita Generoso Urso.

Rastelo de Aço e Vento Silencioso possuem dificuldades para puxar tanto Generoso Urso quanto Pergaminho Eterno e seja lá o que Pergaminho Eterno pegou. Pergaminho Eterno cai no torrão de terra, suas roupas esfarrapadas, seu cabelo bagunçado, e faltando sua típica cartola. Conforme ele se recompõem em alguns instantes, o turbilhão desaparece do Espaço entre os Muito Mundos, deixando apenas escuridão no lugar, além do terrível vazio da ausência do Templo Voador, provedor de luz e calor para os Muito Mundos.

- Oh, puxa! - diz Pergaminho Eterno - Odeio estar nesse estado lastimável… Minha Cartola! Cadê a minha Cartola! - ele diz, quando sua preciosa cartola lhe cai à cabeça, escondendo-lhe os olhos e fazendo os demais Peregrinos rirem do estado lastimável desse elegante Peregrino. Ele ergue a cartola e faz “Humpf”, ao colocar a mesma de volta depois de a limpar, mas no fundo sabe que todos precisam disso para passar esse estado de perturbação.

Mas ele não passa por muito tempo.

- O que aconteceu com o Templo? Como ele poderia desaparecer assim? - diz Vento Silencioso, em um tom normal de voz, o que é quase um grito para a mesma

- Não sei! - diz Generoso Urso - Pergaminho Eterno, alguma vez ocorreu fato semelhante?

- Nunca! - diz Pergaminho Eterno - Em nenhum dos registros, lendas e anedotas sobre o Templo, jamais foi mencionado sequer que o Templo tenha desaparecido. De fato, até onde se sabe, o Templo sempre existiu!

- E quanto a isso? - diz Rastelo de Aço, observando o que Pergaminho Eterno recuperou de dentro do turbilhão - Alguma coisa que você saiba sobre isso, Pergaminho Eterno? - ela diz em um tom até ríspido, se arrependendo em seguida, ao lembrar das palavras da Monja Carvalho Orvalhado: “Você sabe plantar muito bem, Rastelo de Aço. Mas tome cuidado, pois o Rastelo precisa ferir a terra para que se possa plantar, mas a ferir demais apenas serve para que nada cresça dessa terra. E o mesmo vale quanto às pessoas.”

Pergaminho Eterno observa o objeto que recolhera, agora percebendo que o mesmo é ovalado e razoavelmente grande, tendo em torno de 60 centímetros, branco rajado de esmeralda:

- Parece algum tipo de ovo… E esses detalhes lembram muito as colunas do Templo… - diz Pergaminho Eterno. - Mas que tipo de mistérios ele reserva? - ele diz, quando percebe que o mesmo está começando a se quebrar, como se estivesse começando a chocar…

- O que está acontecendo? - diz Rastelo de Aço - Como esse ovo pode estar chocando?

É quando Pergaminho Eterno analisa a situação:

- Seja o que for esse ovo, está relacionado a nós e ao desaparecimento do Templo. - ele diz, ainda ajeitando as roupas - Pelo que percebi, ele reagiu à minha proximidade e ao meu toque… Além disso, percebo que consigo sentir-me capaz de voar.

- Gastou palavras demais, Pergaminho Eterno. - diz Generoso Urso - Esse ovo é seguro?

- Há apenas uma forma de descobrirmos. - diz Pergaminho Eterno - Vamos tocar o ovo e chocá-lo de uma vez. Seja o que for que saia dele, mesmo que ruim, não pode ser pior do que a ausência do Templo Voador para os Muitos Mundos. Observem ao seu redor e perceberão o que estou dizendo.

Todos olham para o Espaço entre os Muito Mundos e conseguem ver alguns planetas mais próximos se chocando, a influência ordeira do Templo lhes faltando e começando a tornar os Muitos Mundos em caos. Grandes barcas voadoras começaram a fugir deses planetas, abandonando-os antes dos mesmos virarem pó.

- Os Muitos Mundos estão perturbados pela ausência do Templo. - diz Rastelo de Aço - Pergaminho Eterno está certo: seja o que for esse ovo, deve ter algo a ver com o desaparecimento do Templo. Vamos terminar de chocar esse ovo.

Os Peregrinos se aproximam do ovo, que começa a ritmicamente pulsar, pequenas fendas se abrindo, enquanto os Peregrinos sentem o calor familiar do Templo os penetrar, fazendo-os vibrar de emoção dentro de seus corações, seus pés levitando levemente sobre o torrão de terra onde se resguardaram. Por fim, algo começa a quebrar a casca do ovo, até que de dentro do mesmo uma criatura grande e serpentínea, com uma plumagem esverdeada, alçando o Espaço próximo ao torrão:

- Um dragão! - diz Vento Silencioso - Do ovo surgiu um Dragão!

- Mistério em cima de mistério! - diz Pergaminho Eterno, quando o Dragão volta-se para os Peregrinos

- Cuidado! - diz Generoso Urso - Ele vai nos atacar!

Os Peregrinos sobem ao céu, sentindo suas habilidades de vôo, ensinadas pelos Monges do antigo Templo Voador, retornarem aos mesmos. Entretanto, quando Vento Silencioso sobe ao céu, ela percebe que o Dragão muda de direção, na direção dos Peregrinos.

- Ele vai nos perseguir! - diz Generoso Urso, quando eles percebem que o Dragão para diante de Vento Silencioso, os profundos olhos reptilícos observando-a, de maneira curiosa.

- Saia daí, Vento Silencioso! É perigoso! - diz Rastelo de Aço

- Esperem um pouco! Deixe-me ver uma coisa. - diz Pergaminho Eterno, voando lentamente para próximo de Vento Silencioso e do Dragão.

Pergaminho Eterno vai se aproximando, levando a mão lentamente para o grande focinho do Dragão, que observa calmamente a ação de Pergaminho Eterno. Quando este toca o Dragão, ele tem uma sensação confortável, como se estivesse tocando os milhares de pergaminhos dos Registros do Templo. Ao mesmo tempo, o Dragão demonstra-se à vontade com o toque do Peregrino do Templo Voador.

- Ele é apenas um bebê. - diz Pergaminho Eterno - Ele precisa tanto de nós quanto nós dele.

- Nós?! Precisarmos de um Dragão?! - diz Rastelo de Aço - O que precisamos agora é descobrir o que aconteceu ao Templo, Pergaminho Eterno! Nunca imaginei que, logo você, se daria a fantasias!

- Mas não é uma fantasia, Rastelo de Aço! - diz Pergaminho Eterno - Não percebeu como nossas habilidades místicas e nossa capacidade de voar voltaram a atuar tão logo o Dragão saiu do Ovo? Isso só pode ser um sinal do Templo Voador de que devemos usar o Dragão para seguirmos adiante. E ao mesmo tempo, deveríamos ensinar o Dragão sobre as coisas da Vida. Ou seja, ele será como um Peregrino, assim como nós.

- Os últimos Peregrinos do Templo Voador cuidando de um Dragão… Percebe o tamanho da ironia nisso, Pergaminho Eterno? - diz Rastelo de Aço

- De qualquer modo, acho que muito do mistério sobre o Templo está relacionado a esse Dragão. - diz Pergaminho Eterno. - Olhem, mais uma prova do que digo. diz ele ao encontrar algo no meio da plumagem do Dragão. Uma carta.

- Mais uma Carta ao Templo? - diz Vento Silencioso - Como ela pode ter vindo parar aqui se o Templo desapareceu?

- Isso não sei, Vento Silencioso, mas o que posso dizer é que com certeza isso prova que o Dragão tem alguma coisa a ver com o desaparecimento do Templo. - diz Pergaminho Eterno, enquanto ajusta seu monóculo para ler. Todos sabem que isso é apenas um ritual empolado de Pergaminho Eterno: na realidade ele tem a visão perfeita.

Conforme ele lê, ele vai falando sobre a Carta:

- No planeta Jukku, estão preocupados com a possibilidade de um planeta vizinho ser forçado a colidir com o mesmo por causa das influências de um terceiro. Entretanto, eles precisam desse planeta, pois é dele que vem a pouca água que Jukku possui. A queda de tal planeta em Jukku pode provocar um dilúvio como nunca se viu antes, e eles pedem nossa ajuda. - diz Pergaminho Eterno, resumindo a Carta - Acho que devemos ir: aparentemente, somos tudo o que restou do Templo. Não sei o que pode acontecer com os Muitos Mundos com a ausência do Templo, entretanto acho que devemos continuar a missão do Templo. Algo me diz que o Dragão concorda comigo.

O Dragão faz um menear de cabeça que leva os demais à conclusão, embora Rastelo de Aço continue com críticas:

- Acredito que deveríamos verificar o que aconteceu e para onde foi o Templo: os Muitos Mundos vão entrar em desordem com a ausência do Templo, e não estou falando apenas de Mundos colidindo, mas de pessoas tentando aproveitar e plantar suas sementes de maldade por aí.

- Compreendo o que você quer dizer, Rastelo de Aço, e por isso mesmo acho que devemos continuar nossa peregrinação e a ajudar os povos dos Muitos Mundos. E tenho a séria impressão que iremos certamente encontrar pistas sobre o que houve com o Templo se mantivermos nossa peregrinação. - diz Pergaminho Eterno, enquanto os demais, mesmo Rastelo de Aço, concordam com a cabeça.

- Sabe onde fica Jukku, Pergaminho Eterno? - diz Rastelo de Aço

- Sim. Venham comigo. - diz Pergaminho Eterno, voando na direção oposta, enquanto pensa que, mesmo com a ausência do Templo Voador, ainda existe muito o que ser feito, muitas Cartas com Dilemas a serem resolvidos.

E que apenas eles quatro poderão resolver tais problemas agora, até descobrirem o que houve com o Templo Voador.